A demanda por juros baixo deve retornar após a crise? O que Edson Hydalgo Jr pensa sobre

A oferta de produtos financeiros estruturados vinha em um movimento crescente mas sofreu com a pandemia do coronavírus, com o passar da crise ela deve voltar a se tornar uma realidade

O mercado financeiro no Brasil historicamente sofreu por um funcionamento mais arcaico se comparado a operações do mesmo setor em países com economias chamadas de primeiro mundo. Diferentemente dos centros financeiros mundiais, o investidor brasileiro encontrava um cenário pouco propício para o consumo de produtos financeiros estruturados. A altíssima taxa de juros fez do país um terreno infértil para a sofisticação do mercado financeiro e uma oferta mais ampla de produtos financeiros estruturados. No entanto, nos últimos tempos essa realidade mudou e a demanda por juros baixo vinha se fortalecendo pouco antes da abrupta crise causada pela pandemia internacional.

Nos últimos tempos, o país foi palco de uma demanda pela queda da taxa básica de juros, tendo alcançado a marca da menor taxa da história no fim de 2019, em torno de 5% ao ano. Tal acontecimento tem um lado negativo para os tradicionais “poupadores” — os investidores que buscam uma rentabilidade baixa e a longo prazo sem nenhum apreço pelo risco — porém ele permite a sofisticação do mercado em solo nacional e inclusive sua ampliação com o surgimentos de instituições financeiras independentes, dando mais opções aos clientes e gerando competitividade em um setor que historicamente foi bem concentrado.

Segundo o empresário Edson Hydalgo Jr, fundador da Intrader DTVM, a queda no ganho em investimentos sem risco e com pouca rentabilidade vai acontecer com a interferência direta da inflação, que vai estar muito próxima dos rendimentos. “O investidor acostumado a colocar o dinheiro no CDI, na poupança, em algum título do governo que tinha um rendimento de mais de 1% ao mês vai ter que procurar outras alternativas e vai perceber que precisa fazer algo. Em troca de rentabilidade vai encontrar a possibilidade de investir em outros mercados — o que vai ter mais risco”, conta. 

Assim, apesar da perda de mercado de um investimento ao qual o povo brasileiro já está acostumado e atrai capital externo, abre-se uma gama de possibilidades para quem está interessado em consumir produtos estruturados no mercado de investimentos. 

Questionado sobre quais mercados podem se abrir para esse novo corpo de investidores, Jr Hydalgo explica que os produtos financeiros estruturados — core business da sua empresa — representam um leque muito amplo de possibilidades. “O investidor pode vir para um cenário de fundos de investimento imobiliário, de crédito ou em ações, também pode ser que venha para fundo de investimento em participações que são os chamados FIPs. O essencial é entender que esse público vai ter que se mexer um pouco porque o nível de juros que vamos estar enfrentando no Brasil vai estar comparativamente muito próximo da inflação”, analisa.

Essa nova realidade em um primeiro momento pode assustar quem assiste as curvas do mercado do lado de fora. Com a queda da taxa de juros, o primeiro momento, como ocorreu em 2019, é de aumento do câmbio e fuga de capital. Vale ressaltar que essa saída de capital é natural visto que muito do que atraía o dinheiro de investidores externos era exatamente a elevada taxa de juros em um mercado caracterizado pela renda fixa e a carteira de investimentos, em consequência, costumavam ser pouco diversificadas e por isso esta mutação que vem acontecendo na vida dos investidores pode gerar grandes conflitos econômicos e incertezas sobre o futuro do mercado de valores .

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