MPRJ denuncia dois PMs pelos assassinatos de dois jovens em Belford Roxo

Soldado Jorge Luiz Custódio e cabo Julio Cesar Ferreira dos Santos vão responder por dois homicídios qualificados. Militares são suspeitos de serem os responsáveis pelas mortes dos amigos Jhordan Luiz de Oliveira Natividade e Edson de Souza Arguinez após uma abordagem na rua em dezembro de 2020.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dois policiais militares pelos assassinatos de dois jovens em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em dezembro do ano passado. O soldado Jorge Luiz Custódio e o cabo Júlio Cesar Ferreira dos Santos vão responder por duas acusações de homicídio qualificado.

A denúncia já está na Justiça, mas ainda não foi apreciada. O processo é sigiloso.

Os PMs são suspeitos de serem os responsáveis pelas mortes dos amigos Jhordan Luiz de Oliveira Natividade e Edson de Souza Arguinez após uma abordagem no bairro São Bernardo. O caso aconteceu no dia 12 de dezembro.

Imagens

Uma câmera de segurança mostra um dos policiais atirando em direção aos dois jovens que passam de moto por uma blitz. Em seguida, as duas vítimas caem.

Um PM dá um chute nas costas de um dos jovens. Logo depois, um carro branco que estava parado próximo ao ponto da abordagem deixa o local.

Ainda pelas imagens é possível ver quando um policial leva um dos jovens para o outro lado da rua. O outro se arrasta para o mesmo lugar. Os policiais ficam minutos ali. Um deles desaparece da imagem.

Outra câmera mostra o momento em que os jovens são algemados e levados pelos policiais. Edson e Jordan foram encontrados em outro local, distante do ponto onde foi feita a abordagem.

No carro dos policiais, a perícia encontrou o que acredita serem manchas de sangue no chão e no tapete do veículo.

Na primeira câmera, o policial aparece subindo na moto e deixando o local. O outro PM entra no carro e também dá a partida.

Os corpos dos jovens foram encontrados a oito quilômetros do local.

Versões

Em depoimento, os dois policiais disseram que o piloto da moto perdeu o controle e eles caíram, e que não houve nenhum disparo.

O cabo Júlio Cesar disse ainda que os rapazes foram algemados para serem levados até a delegacia e, por isso, o soldado foi dirigindo a moto com os dois algemados no banco de trás.

Eles disseram ainda no depoimento que uns 40 metros depois resolveram liberá-los porque concluíram que nem os jovens e nem a motocicleta tinham problemas.

A prisão dos policiais foi concedida pelo juiz de plantão com o agravante de não terem informado ao comandante do Batalhão o que havia ocorrido. O soldado Jorge Luiz afirmou no depoimento “não ter o que relatar”.

Família dos jovens

Jhordan Luiz Natividade, de 18 anos, morava com a mãe, o padrasto e a irmã menor em São Bernardo, Belford Roxo. Ele ajudava o padrasto e cursava o ensino médio, fazendo aulas online na Escola Municipal Manoel Gomes.

Natália Esteves, tia de Jhordan, disse em entrevista por telefone que a primeira informação que receberam era de que o sobrinho e seu amigo tinham sido presos.

“Esse é um sentimento de revolta. Porque ali na situação ele não reagiram em nada. Nada que os policiais pudessem se sentir ameaçados. Não tem resposta.”

Mãe fala em covardia

Renata, mãe de Edson, disse que o filho era brincalhão, alegre e amoroso, que gostava muito de jogar futebol. Ela também lamentou a atuação dos policiais.

“Em vez de proteger o cidadão, eles fazem covardia”, resumiu.

A Subsecretaria de Estado de Vitimados informou que ofereceu auxílio psicológico e social para as famílias dos rapazes.

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